Publicada em 06 de novembro de 2016 - 9:25

Briga e cenário de guerra: final da Série C tem clima de terror em MG

O Estádio Dilzon Melo se transformou em um autêntico campo de batalha logo após o título do Boa Esporte na […]

seriecbrigaO Estádio Dilzon Melo se transformou em um autêntico campo de batalha logo após o título do Boa Esporte na Série C, com a vitória por 3 a 0 sobre o Guarani, em Varginha. Policiais militares entraram em conflito com torcedores bugrinos e depois com jogadores, dirigentes e funcionários, que partiram para cima para evitar uma confusão ainda maior. O ambiente de guerra, que acontecia enquanto o o time de Varginha levantava a taça de campeão, manchou a despedida do Bugre da temporada.

O problema começou assim que acabou a partida. Cabisbaixos, os atletas do Guarani foram próximos à torcida para aplaudir a presença (cinco mil bugrinos viajaram até Varginha na esperança de festejarem o título). Na mesma hora, a PM entrou em conflito com alguns bugrinos e arremessou bombas de efeito moral para dispersar a multidão. A atitude enervou os jogadores, que foram para cima do policiamento.

– Atiraram no meio da nossa torcida, eles estão aqui para dar segurança para nós e para todos os torcedores, mas eles estão totalmente despreparados. Isso não pode acontecer – afirmou o meia Fumagalli, um dos pouquíssimos que se manteve longe do tumulto e conseguiu argumentar, sem sucesso, com os policiais.
Alguns mais exaltados, como o goleiro Leandro Santos, o lateral-esquerdo Denis Neves e o zagueiro Leandro Amaro, foram para cima dos policiais aos berros exigindo que eles parassem, o que não aconteceu. Enquanto isso, os torcedores arremessavam objetos grandes, como grades e lixeiras, em direção ao campo.

Guarani x Boa confusão (Foto: Murilo Borges)Pipico e Marcelo Chamusca tentam conversar com os policiais durante a briga (Foto: Murilo Borges)

Leandro Amaro, por sinal, não se envolveu em confusão só com a polícia. Na tentativa de afastar os torcedores do confronto com a Polícia Militar, o zagueiro chegou a discutir com um grupo de bugrinos e ficou muito exaltado. Nervosismo também sobrou para Ferreira, que foi expulso após fazer uma falta no segundo tempo da partida e agrediu o árbitro e o companheiro Auremir.

Apesar da tentativa dos torcedores do Bugre, o clima de guerra não acalmou e ficou ainda pior. Um funcionário do Guarani foi atingido por uma pedra e saiu de ambulância. Denis Neves teve que ser contido por Horley Senna e outros companheiros, senão poderia partir para cima dos policiais.

Estragos torcida Guarani, Varginha (Foto: Rodrigo Villalba/ GloboEsporte.com)Torcida do Guarani atirou objetos no gramado do estádio do Melão em Varginha (Foto: Rodrigo Villalba/GloboEsporte.com)

– É um abuso de autoridade o que a Polícia Militar está fazendo com a torcida do Guarani – afirmou o presidente Horley Senna, que tentava tirar os jogadores de perto dos policiais, mas em vão. O dirigente foi um dos que levou spray de pimenta na cara, bem como parte do elenco e outros funcionários do clube.

O incidente atrapalhou até a festa de premiação, pois os jogadores do Guarani, como vice-campeões, receberiam as medalhas de prata. Transtornados com a polícia e também irritados pelas provocações da torcida do Boa Esporte, os bugrinos saíram direto para o vestiário.

– Manchou o campeonato. Aquilo que era para ser uma festa, se tornou um episódio lamentável. Espero que isso não manche a campanha que o Guarani fez – afirmou o lateral-direito Régis.

– Eu não vi o que aconteceu no final do jogo, mas o término da competição tinha que ser diferente por tudo o que fizemos, mas eu estou há muito tempo no futebol, infelizmente essas coisas acontecem – afirmou o técnico Marcelo Chamusca.

O Guarani volta direto para Campinas, logo após a partida, e chega no Brinco de Ouro no início da madrugada. O time fecha a campanha com o vice-campeonato e só volta a jogar no fim de janeiro, pela Série A2 do Campeonato Paulista.

 

Globo Esporte