Publicada em 16 de maio de 2018 - 12:34

Escuta mostra que FPF pode ter interferido em julgamento do TJDF

Uma possível interferência da Federação Paraibana de Futebol (FPF) no trabalho do Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba […]

fpfpoliciaUma possível interferência da Federação Paraibana de Futebol (FPF) no trabalho do Tribunal de Justiça Desportiva de Futebol da Paraíba (TJDF-PB) e da Comissão Estadual de Arbitragem (Ceaf) sempre esteve no imaginário do torcedor. Como é que decisões de processos e a escalação de árbitros que não tinham a mínima condição de trabalhar nos jogos aconteciam?

A resposta para uma das perguntas pode ter sido revelada em uma escuta telefônica que o Correio da Paraíba teve acesso a gravação, envolvendo o presidente do TJDF-PB, Lionaldo Santos, e o da FPF, Amadeu Rodrigues. O assunto em questão é o julgamento envolvendo o Treze Futebol Clube, na época da polêmica sobre o regulamento do Estadual.

Botafogo e Treze se enfrentaram na semifinal, com o primeiro jogo acontecendo em João Pessoa e o segundo em Campina Grande. Porém, o Belo acionou a justiça, alegando que por ter feito mais pontos na primeira fase deveria ter a vantagem de decidir em casa.

Contudo, o entendimento do regulamento era que este privilégio seria dos times que terminaram em primeiro lugar nos seus respectivos grupo – no caso, Campinense e Treze.

Na transcrição, Amadeu Rodrigues telefona para Lionaldo e diz que “estão (o Treze) querendo agitar de todo jeito, porque o Botafogo solicitou arbitragem do intercâmbio e eles (diretoria do Treze) da Fifa”. O presidente do TJDF-PB revela que o advogado do Galo havia “entrado com uma ação para o vice-presidente do Tribunal, para que fosse adiado (o julgamento)”.

Aparentemente irritado pela resposta do jurista, Amadeu rebate dizendo que “não vai adiar nada. Isso é medo de jogar”. Depois, Lionaldo faz uma pergunta, no sentido de buscar uma orientação sobre o posicionamento que deve ser adotado no julgamento em questão. O presidente da FPF é enfático e defende a sua tese.

Lionaldo Santos: “Me diga uma coisa. Essa sessão deve ser realizada hoje… Qual é a sugestão que você dá?”.

Amadeu Rodrigues: “Seguir o relator e manter do jeito que tá. O primeiro jogo em João Pessoa, o segundo em Campina com a vantagem pro Treze”.

Versão dos citados

Na coletiva realizada nessa segunda-feira (14), o Correio questionou o presidente Amadeu Rodrigues e os advogados Hilton Souto Maior e Eduardo Araújo, sobre o caso em questão. Eduardo foi o encarregado de responder, já que Amadeu apenas leu uma carta e não atendeu a imprensa no momento das perguntas.

Na resposta, Eduardo justificou que Amadeu estava apenas expressando para Lionaldo o posicionamento da diretoria jurídica da FPF, que já estava divulgada em um documento. O advogado ainda negou a suposta interferência de uma entidade sobre a outra e ratificou a independência dos poderes.

Já o presidente do TJDF-PB, disse à reportagem que quando Amadeu fala em sugestão, está se referindo ao advogado do Treze (George Ramalho). Sobre a interferência da FPF no Tribunal, ele descartou e disse que existe apenas uma relação de respeito.

“Somos instituições e trabalhamos pelo futebol. A minha intimidade com o presidente da FPF é tão grande, que funcionamos no mesmo prédio e nem meu carro eu posso estacionar na garagem. Quando ele falou comigo, eu pedi uma sugestão sobre a postura do advogado nesta situação. Posso garantir que não tinha nada a ver com interferência”, disse Lionaldo.

 

 

 

 Jornal Correio da Paraíba