Cajazeiras/PB terça-feira , 7 de dezembro de 2021

Brasil

Johnson diz que pode vender vacina contra a Covid-19 ao Brasil em ‘quantidade’ e ‘condições’ que dependem de acordo com Ministério da Saúde

A Janssen Pharmaceuticals, divisão farmacêutica do grupo Johnson&Johnson, informou em nota neste sábado (30) que “disponibilizará sua vacina” contra a […]

A Janssen Pharmaceuticals, divisão farmacêutica do grupo Johnson&Johnson, informou em nota neste sábado (30) que “disponibilizará sua vacina” contra a Covid-19 no Brasil “na quantidade e nas condições que vierem a ser acordadas com o Ministério da Saúde“.

G1 entrou em contato com o Ministério para verificar o status das negociações, mas não obteve resposta até a mais recente atualização desta reportagem. No começo do mês, o ministro Eduardo Pazuello disse que tinha interesse em comprar doses da vacina da Johnson.

A companhia diz ter o objetivo de fornecer um bilhão de doses da vacina em todo o mundo em 2021. Mas não divulgou estimativas de quantas poderiam vir para o Brasil. Entretanto, esclareceu que trabalha em “um modelo sem fins lucrativos durante a pandemia, para que (a vacina) possa ser oferecida por meio do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a COVID-19”.

A empresa divulgou, na sexta-feira (29), os resultados preliminares de fase 3 de sua vacina, que foi testada no Brasil. O imunizante teve 66% de eficácia contra casos moderados e graves da doença. Isso significa uma redução de 66% nos casos moderados e graves de Covid no grupo vacinado em relação ao grupo não vacinado durantes os testes da vacina.

Por ter feito testes no país, a Johnson pode entrar com um pedido de uso emergencial da vacina na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A agência que determinou que só pode haver liberação emergencial de vacinas para a Covid que tenham sido testadas em voluntários brasileiros. Até a manhã deste sábado, nenhum pedido havia sido feito, segundo a Anvisa.

Até agora, apenas as vacinas de Oxford e a CoronaVac foram aprovadas no país.

Ministro garantiu compra

Em 7 de janeiro, segundo a agência de notícias Reuters, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, garantiu que o governo federal iria comprar doses da vacina da Johnson.

Em pronunciamento no Palácio do Planalto, Pazuello fez elogios ao imunizante, que está sendo desenvolvido pela Janssen, destacando que seus técnicos afirmam se tratar da “melhor negociação”. Contudo, ele disse que “infelizmente” só 3 milhões de doses haviam sido oferecidas ao Brasil – a partir de abril ou maio.

“Para não deixar dúvida, nós comparemos a vacina da Janssen”, ressaltou.

A vacina, que usa a tecnologia de vetor viral, é a única em etapa avançada de testes com apenas uma dose. Ela também tem a vantagem de poder ser armazenada por pelo menos 3 meses em temperaturas de 2ºC a 8ºC – o que é compatível com a rede de frio de vacinação usada no Brasil. Em temperaturas de -20ºC, ela fica estável por dois anos.

Moderna e Pfizer

Pazuello disse também que o governo federal está em negociação com o laboratório Moderna, que desenvolveu outra vacina contra a Covid. O ministro afirmou, entretanto, que cada dose do imunizante custa US$ 37 (cerca de R$ 202).

Além disso, diferente da vacina da Johnson, a da Moderna precisa ser aplicada em duas doses e armazenada apenas a -20ºC. A previsão de entrega das primeiras vacinas seria em outubro, segundo o ministro.

(Em comparação, a vacina de Oxford importada do Instituto Serum, na Índia, custou US$ 5,25 por dose pronta, cerca de R$ 29. O imunizante também é aplicado em duas doses).

“É isso aí, pessoal, ou fabrica no Brasil ou não tem vacina”, afirmou Pazuello. As vacinas de Oxford e da Sinovac estão sendo produzidas no país, após transferência de tecnologia.

Pazuello também se queixou das exigências da Pfizer para a venda ao Brasil. Ele citou quatro condicionantes apresentadas, entre elas a isenção de responsabilidade por eventuais efeitos colaterais pela vacina, e ainda mencionou a baixa quantidade de doses que poderiam ser ofertadas.

“Isso tudo obviamente faz com que a gente não consiga contratar a Pfizer”, avaliou. “Queremos que a Pfizer nos dê o tratamento compatível com o nosso país, amenize essas cláusulas. Não podemos assinar dessa forma”, reforçou.

No mesmo dia, entretanto, a Pfizer divulgou nota dizendo que ofereceu 70 milhões de doses de vacina ao governo brasileiro para entrega a partir de dezembro.

A empresa também disse que não podia comentar as negociações em curso com o governo brasileiro, mas afirmou que os termos do acordo oferecido foram os mesmos aceitos por outros países que já receberam e estão aplicando a vacina.

Cerca de duas semanas depois, no entanto, o Ministério da Saúde repetiu as queixas, dizendo que as doses oferecidas pela empresa ao Brasil causariam “frustração”.

No dia 7, o ministro disse ainda que está em negociações com a farmacêutica União Química a fim de que vacina russa Sputnik V possa vir a ser fabricada no Brasil e comprada pelo governo. Ele não deu detalhes sobre as quantidades que estão sendo discutidas.

G1